Ænima, palavra de origem Tooliana, que tem como significado: a lavagem da alma. Morreu o pequeno deus, morreu uma apologia...Prefiro desiludir com a verdade do que iludir com a mentira, e no entanto, aqui estou, a julgar-me fora do alcance da minha própria ambição. É hora de encaixar as peças todas. É altura de observar os vários pontos de vista duma peça completa.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Mingos e samurais (77)
A invenção começa quando pego na viola que não tenho e que não sei tocar. E uma banda, pequena, onde cada músico tem um nome conhecido do público, ou mesmo que não tenha, é apreciado pelo público de forma singular, toca atrás e ao meu lado. Inicialmente tocamos músicas calmas, outras um pouco mais ritmadas. As letras são simples, tão simples quanto nós, e rimam, de uma forma que gostamos de rimar com a vida. As pessoas já nos sabem acompanhar. A maioria das letras e música têm uma sonoridade viciante, e depressa todos aprendem a cantar, e cantam connosco. Nesta indústria muitos entram pelo dinheiro que dela pode advir. Não é o nosso caso. Isto é aquilo que nos dá prazer, se deste prazer advier dinheiro, seja pouco ou muito, ou algum, será bem vindo e é apenas um anexo simpático. O que queremos é espalhar esta magia, esta música encaixada nestas letras e estas letras a encaixar na música. Misturar vários estilos musicais. Sabe tão bem estar aqui no palco...e sabe tão bem sentir que podemos estar numa espécie de trono, onde o público bebe de forma sedenta e quase cega as nossas palavras, como sabe bem sentirmos que o público e nós somos a mesma matéria, que vibra e se reflecte de forma similar através destas canções. É gratificante. Não gostariam de sentir que aquilo que vos dá prazer consegue ainda dar prazer aos outros? Que aquilo que fazem por prazer ainda por cima fazem bem? A vida devia ser sempre assim. Mas não é. E talvez seja também essa uma razão para escrever letras, construir músicas, encaixar peças. Podíamos estar sentados algures no nada, parados, olhando o nada, a respirar nada, a absorver vazio. Podíamos andar na rua, por andar, fitando o vazio. Podíamos fazer o nada que a maioria tenta fazer de forma sonâmbula e cada vez de forma mais aperfeiçoada. Mas não, simplesmente optamos por não o ser, por não o fazer. E criamos.
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