Existem coisas na vida às quais nos habituamos. Algumas são más outras boas, outras excelentes outras péssimas. É a vida não é verdade? Depois existem aquelas coisas que nos fazem pensar, tornar maior, minimizar, que nos fazer arrastar blocos de rocha enormes em qualquer direcção e que nos fazem rastejar por algo que nos afaste do que estamos a sentir. E essas coisas, muitas vezes, não têm um "final", não têm uma resposta, uma solução. São coisas que por muito que estejam presentes (seja a curto, médio ou longo prazo) nunca são recebidas e aceites na nossa habituação. E esta é a batalha, sem derrota talvez, talvez sem vitória, que batalhamos talvez todos os dias e noites. São nos sonhos que nos aparecem sem quereremos enquanto dormimos, nos pesadelos enquanto dormimos; são os sonhos que nos preenchem ou que nos esvaziam. O que quero dizer, em tom aberto na minha escrita, é que, existe uma complicação grave entre todas as seguintes palavras: fazer, pensar, desejar, sentir, falar, repensar, fugir, chorar; ter saudades, refazer, lutar, deixar, conquistar, reconquistar, acabar, começar; e para juntar a tudo isto, assim em estilo de rota de colisão todo um conjunto de "sinais" (de forma harmoniosamente bela ou apenas harmoniosa). Custa saborear tudo isto ao mesmo tempo. Porque fica tudo por explicar e tudo por ser organizado. Fica tudo por viver. Não sei que dizer. Perdi-me. Estou oficialmente perdido nos pensamentos que coloco no papel...Queria receber da vida um ponto de exclamação, uma vírgula, um ponto de interrogação com uma resposta no seu seguimento...
Ao que vejo, tudo o que me chega, são reticências. O que me deixa a ruminar, grotescamente escrito, é ter de duvidar de várias frases e sensações que já tinha como adquiridas, e mais importante ainda: como certas. Sim, é claro que posso estar errado. Possivelmente estive-o a maior parte da minha vida. Talvez tenha vivido vendado, e tudo o que me ia na alma, era dito de forma cega. E tudo o que fui, fui-o de forma peculiar, como se fosse um cego a descrever a paisagem que imagina. Pode ou não estar certa, ou ter fragmentos de verdade ou não, mas quais seriam as probabilidades de estar muito completa? Firme? Ao que me apercebo: nenhumas.
O mais triste? Talvez só eu possa tirar esta venda, e preparar-me para não ficar cego à luz da realidade. Aos poucos preciso de saber, aliás, preciso de aceitar, que estou errado. Custe o que custar: errei. Errei-me. Sou um erro. E talvez depois, aos poucos perceba o que ainda posso fazer por mim, e pelos outros.
Isto é só de mim ou o mundo ergue-nos ao mesmo tempo que nos rasteia? Poderá alguém sentir o mesmo que eu? É que quero aprender se estão todos em barcos diferentes ou se apenas eu estou no barco errado...Porque agora, consciente da minha pobreza, sei que não estou no barco mais iluminado, por muito que tenha pensado estar.
Ænima, palavra de origem Tooliana, que tem como significado: a lavagem da alma. Morreu o pequeno deus, morreu uma apologia...Prefiro desiludir com a verdade do que iludir com a mentira, e no entanto, aqui estou, a julgar-me fora do alcance da minha própria ambição. É hora de encaixar as peças todas. É altura de observar os vários pontos de vista duma peça completa.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
As minhas sombras estão de volta (64)
Elas voltam sempre. Voltam sempre. O grande problema em lidar com as sombras, é que independentemente de já as conhecer, não vai ficando mais fácil. E se existem alturas em que aguenta-las não custa assim tanto noutras alturas custa muito mais. Demora a chegar a total calma...e se por um lado não fico a olhar o tecto durante longos períodos a verdade é que fico a olhar para outras coisas, pela noite dentro. Quando dou por mim estou a adormecer ou a deitar-me a curtas horas de todo o resto da casa se levantar. Não existe consolo em nada, pois nada nem ninguém me sabe dizer quando isto vai terminar. Todos nós temos sombras, umas mais dolorosas que outras, umas com maior capacidade de travar a vida que outras...Também não podemos ser só luz não é? Algo me diz que esta pergunta está incompleta. E que a resposta nada teria haver com o que penso realmente.
E vai-se repetindo tudo,
o que já foi visto, dito, escrito, fotografado. Enfim, dê Deus paciência e força a quem realmente precisa Dele.
E vai-se repetindo tudo,
o que já foi visto, dito, escrito, fotografado. Enfim, dê Deus paciência e força a quem realmente precisa Dele.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Run sheep Run (65)
Ontem vivi no vosso mundo, e vive a vossa rotina. Às treze e dezanove corri, e corri ainda mais, saltei, e corri, para apanhar o barco...Depois, às dezoito horas e trinta minutos, corri, saltei e corri ainda mais, sendo quase esmagado pelo fechar de duas portas de aço (revestidas com borracha) para apanhar o metro...Depois, às vinte e uma e trinta e pouco corri, corri muito, que nem um louco, para apanhar o autocarro. Tudo no mesmo dia. No que me estou a tornar? Fui mais um no centro do rebanho. Não gostei da sensação. Não gostei de ser igual a vós, de fazer parte da vossa espécie. Dei-me repulsa. Tanto correm todos vós...seria uma piada de mau gosto dizer que não precisam de correr para a morte? Que ela, talvez, já esteja à vossa espera? Julgo que não. Corri. Corri muito. Sempre ser pelo prazer de correr. A sofrer nas minhas calças de ganga pretas, com alguma roupa excessiva dado o frio...O mp3 a saltar dentro do bolso, o passe quase a fugir...
Tanta correria. O mais triste é que todos corremos para metas comuns, colocadas na nossa mente por patrões ou patroas similares...Mas talvez o dinheiro seja o verdadeiro líder. Who cares? Onde vamos parar?
Eu sei. A uma vida sem recheio, a um vazio certo...acabaremos por nos tornar escravos de algo que nem sequer gostamos...e para quê? Digam-me vocês. As pessoas pensam que ter vida é viver à pressa, consoante tarefas por nós aceites (muitas vezes sem nosso consentimento)...Esta máquina mundial está em sintonia apenas em maus aspectos. Louvado seja o monstro que há em mim, se e só se, se e só se ... se e só se...
Enquanto correm: eu estive aqui a observar. Boa viagem para algo parecido, nem que muito ao de leve, nem que muito exagerado, para a vossa mini auto-destruição. (Todos vamos morrer um dia não é? Talvez o erro seja meu.)
Tanta correria. O mais triste é que todos corremos para metas comuns, colocadas na nossa mente por patrões ou patroas similares...Mas talvez o dinheiro seja o verdadeiro líder. Who cares? Onde vamos parar?
Eu sei. A uma vida sem recheio, a um vazio certo...acabaremos por nos tornar escravos de algo que nem sequer gostamos...e para quê? Digam-me vocês. As pessoas pensam que ter vida é viver à pressa, consoante tarefas por nós aceites (muitas vezes sem nosso consentimento)...Esta máquina mundial está em sintonia apenas em maus aspectos. Louvado seja o monstro que há em mim, se e só se, se e só se ... se e só se...
Enquanto correm: eu estive aqui a observar. Boa viagem para algo parecido, nem que muito ao de leve, nem que muito exagerado, para a vossa mini auto-destruição. (Todos vamos morrer um dia não é? Talvez o erro seja meu.)
Medo! (66)
O Diogo avança muito devagar pelo mar a dentro. Muito devagar. Está frio. Para mim o mar está sempre frio. Segundo o meu amigo Varela (adorador eterno do mar) o mar está sempre quente. Gostava de sentir o mar como ele sente. Para mim, mesmo nos dias em que supostamente está mais quente, continua frio como...apenas frio, gelado. Penso sempre que é desta que vou partir para o outro mundo com um ataque idiota de hipotermia. Já apanhei um susto uma vez. Saí do mar, aliás do rio...e não parei de tremer durante quase uns trinta minutos. Várias pessoas colocaram toalhas em cima de mim. A minha namorada encheu-me de calor corporal, mas estava difícil. Mas como já disse, foi apenas e apenas só um susto. Mas o Medo! não é esse. Com o frio aos poucos começo a ficar familiarizado...e é tão ou mais constante em mim do que o calor. Aqui o Medo! é outro. Desde pequeno, sabendo ou não nadar, algo que sei, o suficiente para sobreviver, apesar de não saber nadar de forma profissional ou bela, é deixar de...sentir...o chão. Talvez seja mais responsável do que penso; ou será covardia? Eu não sei. Sei que no momento é que vou avançando, vou de forma cautelosa...não por ter medo de morrer, mas sim por ter Medo! de deixar de sentir o chão. Não consigo explicar melhor do que isto. Quando estou no mar, piscina ou rio, se por algum momento sinto que não consigo tocar no chão entro num pseudo pânico. E faço todos os possíveis, dando ou não nas vistas para recuar os centímetros, decímetros necessários para voltar a estar na minha zona de segurança. Por segundos entro nesse Medo! que me deixa à deriva nesse pequeno metro quadrado que para todos os outros comuns mortais é normal. (Menos para mim)
Sei que não me vou afogar...mas mesmo assim. A vida é estranha? Não. Mas talvez eu seja.
Sei que não me vou afogar...mas mesmo assim. A vida é estranha? Não. Mas talvez eu seja.
domingo, 17 de outubro de 2010
É triste a clareza que a morte traz às nossas vidas (67)
A morte...é raro na minha vida ter discussões que envolvam a palavra morte. Na maior parte dos casos tudo não passa de uma injecção forte que dou a quem me ouve, onde o líquido é um conjunto de crenças minhas, umas melhor justificadas que outras. As pessoas pouco ou nada me têm a ensinar sobre a morte. As únicas que pessoas que podiam alterar o que sinto ou penso sentir, o que sei ou o que penso saber, são as pessoas que já cá não estão. E Deus, existindo ou não, (mesmo acreditando que sim) também não ajuda nesta matéria.
Alguns, como também já foi (ou talvez ainda seja o meu caso), acreditam em sinais de outras vidas. Portanto...
Desde tenra idade deixei de temer a morte. Em grande parte por tudo o que penso saber ou sentir. No entanto isto não quer dizer que lhe abra os braços na primeira oportunidade. Gosto muito de viver. E como costumo dizer, para desgosto de alguns: todos os dias são bons para se morrer. Temo sim deixar pessoas que amo para trás. Talvez me assuste a forma de morrer. Mas o que mais me assusta realmente é aquilo que posso vir a fazer sentir nas pessoas depois de morto. Porque quando esse dia chegar, em princípio, serão alguns aqueles que verão com clareza, a falta que lhes posso fazer; aquilo que escrevi e que nunca mais escreverei. A minha voz. O meu toque. O meu olhar. A minha estupidez. As coisas boas e más que fiz...não quero que se lembrem apenas do que fiz de bem. Porque o ser humano, na hora pós-morte gosta de salientar apenas o bom, o que também não me agrada. No entanto, será bom, ser a vez de outros sentirem comigo o que já senti com outros. Mas eu não desejo que se queimem da mesma forma que eu, ou que outros já se queimaram. Não. Eu espero, como espero desde que tomei consciência que o ser humano é um ser tão racional como emocional como idiota, que vós, quem seja que o vós seja, aproveitem-me agora. E assim, na minha morte, apenas recordem, sem arrependimento, apenas com saudade, e com tranquilidade de alma.
É triste a clareza que a morte traz às nossas vidas. Esta frase saiu-me tão profunda como dolorosa.
Mais uma vez a reflexão do monstro derrubou a mediocridade humana que vive no erro e no atrito.
Alguns, como também já foi (ou talvez ainda seja o meu caso), acreditam em sinais de outras vidas. Portanto...
Desde tenra idade deixei de temer a morte. Em grande parte por tudo o que penso saber ou sentir. No entanto isto não quer dizer que lhe abra os braços na primeira oportunidade. Gosto muito de viver. E como costumo dizer, para desgosto de alguns: todos os dias são bons para se morrer. Temo sim deixar pessoas que amo para trás. Talvez me assuste a forma de morrer. Mas o que mais me assusta realmente é aquilo que posso vir a fazer sentir nas pessoas depois de morto. Porque quando esse dia chegar, em princípio, serão alguns aqueles que verão com clareza, a falta que lhes posso fazer; aquilo que escrevi e que nunca mais escreverei. A minha voz. O meu toque. O meu olhar. A minha estupidez. As coisas boas e más que fiz...não quero que se lembrem apenas do que fiz de bem. Porque o ser humano, na hora pós-morte gosta de salientar apenas o bom, o que também não me agrada. No entanto, será bom, ser a vez de outros sentirem comigo o que já senti com outros. Mas eu não desejo que se queimem da mesma forma que eu, ou que outros já se queimaram. Não. Eu espero, como espero desde que tomei consciência que o ser humano é um ser tão racional como emocional como idiota, que vós, quem seja que o vós seja, aproveitem-me agora. E assim, na minha morte, apenas recordem, sem arrependimento, apenas com saudade, e com tranquilidade de alma.
É triste a clareza que a morte traz às nossas vidas. Esta frase saiu-me tão profunda como dolorosa.
Mais uma vez a reflexão do monstro derrubou a mediocridade humana que vive no erro e no atrito.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Sessenta e oito
(Se me pedissem que me definisse numa só palavra confesso que hesitava entre parvo e estúpido. Apenas pela simples razão, de como a maioria, confundir as duas palavras. Não é uma coisa boa nem má, apesar de a encontrar como essência da minha autenticidade. Para o bem ou para o mal, sou assim, e de certa forma, neste sentido, não espero mudar. Pois é o que sou, e o meu melhor eu dá-se a mostrar nessa mesma forma. Digo isto, porque muitas vezes é agir de forma parva e\ou estúpida que me leva a compreender o erro que estou a cometer, como foi agora o caso. Revolta-me um pouco ver pessoas a não ultrapassar barreiras, sejam lá elas díficeis ou não. Revolta-me ainda mais ver pessoas que criam as próprias barreiras...Isolando ou mesmo matando a sua liberdade. A minha raiva maior é ver-me a cometer esse erro. Eu escrevo o que quero, e da forma que quero. E quando escrevemos...(como deveria ser na nossa vida toda, que o é, apesar de ignorado) temos a liberdade de criar o que queremos. Para quê cingir-me às regras a que me imponho só por cingir-me? Porque não utilizar o poder que tenho, (que todos temos), e fazer aquilo que me vai na alma? Quando daí só advém algo melhor? Por estupidez. Pois hoje não serei estúpido, e à minha maneira, matarei saudades, da forma que posso. Sairei feliz? Não interessa. Ao menos tentei.)
Foi com um misto de alegria e tédio que atravessei o rio Tejo. Já era de noite, e a maioria dos portugueses já tinha jantado, e estava agora em frente à televisão vendo Portugal jogar. Aconteceu algo quase tocante: perguntei ao meu irmão como estava o resultado. A partir desse momento tive direito a uma descrição curta mas eficaz do jogo, dos golos, da forma de jogar de ambas as equipas. Foi um momento, de forma muito peculiar, feliz. O interesse pela selecção morreu há muito tempo. Sigo o futebol que dá pelo prazer de ver bons jogos a nível europeu e mundial assim como de seguir a equipa do meu coração, esse dito glorioso, o Benfica. No entanto, algo mudou com a entrada do Paulo Bento. Sempre o respeitei como treinador. Alguns acharam que era um salto demasiado grande coloca-lo à frente da selecção. Até agora tudo indica o contrário. E apesar de ainda não vibrar com a selecção da mesma forma como vibro com o Benfica, a Alemanha, Brasil, Holanda, (a Itália dos bons velhos tempos ou mesmo a Inglaterra), a verdade é que está a renascer em mim um português.
E é isto. Foi bom estar de volta...ao meu ambiente. Porque há coisas que nunca mudam.
Foi com um misto de alegria e tédio que atravessei o rio Tejo. Já era de noite, e a maioria dos portugueses já tinha jantado, e estava agora em frente à televisão vendo Portugal jogar. Aconteceu algo quase tocante: perguntei ao meu irmão como estava o resultado. A partir desse momento tive direito a uma descrição curta mas eficaz do jogo, dos golos, da forma de jogar de ambas as equipas. Foi um momento, de forma muito peculiar, feliz. O interesse pela selecção morreu há muito tempo. Sigo o futebol que dá pelo prazer de ver bons jogos a nível europeu e mundial assim como de seguir a equipa do meu coração, esse dito glorioso, o Benfica. No entanto, algo mudou com a entrada do Paulo Bento. Sempre o respeitei como treinador. Alguns acharam que era um salto demasiado grande coloca-lo à frente da selecção. Até agora tudo indica o contrário. E apesar de ainda não vibrar com a selecção da mesma forma como vibro com o Benfica, a Alemanha, Brasil, Holanda, (a Itália dos bons velhos tempos ou mesmo a Inglaterra), a verdade é que está a renascer em mim um português.
E é isto. Foi bom estar de volta...ao meu ambiente. Porque há coisas que nunca mudam.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Estalar de dedos que me desperta (69)
Acordo, estende-se o dia à minha frente. Aproxima-se o Outono, a chuva, o frio, o vento; o Inverno. Darei suficientes graças por estar vivo? Às vezes sim, em situações pontuais. Nas arestas imensas que me falta limar até me tornar num monstro mais perfeito, ainda me falta dar valor à saúde sem ser apenas quando me encontro na doença; ter fé nos momentos todos e não só quando preciso de algo mais; dar valor ao que tenho sem ser por observar à minha volta quem está pior.
Em algumas coisas estou bem melhor que muitos. Não preciso de perder alguém para lhe dar o devido valor. Disso já me fartei. Engolir em seco ou secar lágrimas depois de nada mais haver a fazer já não me chega. Disso já me fartei. Se nem na morte temos ainda a certeza de ser uma despedida para sempre para quê forçar outras despedidas? Coloco músicas a tocar para realçar a exclusividade do momento; desde músicas grosseiras de guitarra e bateria grotescas, onde viajo sem sair do sitio, a músicas épicas. Desvalorizo e valorizo a raiva. Desvalorizo e valorizo o ódio. E antes que possa agarrar algo mais que me foge pelos dedos...desligo-me. Ou sou desligado. A essência é a mesma, a única coisa que muda é a culpa, se existir. Para a maioria basta o chamado sentimento. Eu não sou a maioria. Portanto, ou estou longe de sentir a profundidade do que já sentiram ou sentem, ou estão vós um pedaço enorme atrás de mim.
E vou-me perdendo nas razões que me movem as pernas, perdido por voltar a pensar que sou como todos os outros em todos os pormenores. Até me podem ir tentando provar que não sou; mas nunca será a mesma coisa. Se me pudesse acordar enquanto estou a dormir faria-o sem hesitar. Aguardo pelo estalar de dedos que me desperta.
Em algumas coisas estou bem melhor que muitos. Não preciso de perder alguém para lhe dar o devido valor. Disso já me fartei. Engolir em seco ou secar lágrimas depois de nada mais haver a fazer já não me chega. Disso já me fartei. Se nem na morte temos ainda a certeza de ser uma despedida para sempre para quê forçar outras despedidas? Coloco músicas a tocar para realçar a exclusividade do momento; desde músicas grosseiras de guitarra e bateria grotescas, onde viajo sem sair do sitio, a músicas épicas. Desvalorizo e valorizo a raiva. Desvalorizo e valorizo o ódio. E antes que possa agarrar algo mais que me foge pelos dedos...desligo-me. Ou sou desligado. A essência é a mesma, a única coisa que muda é a culpa, se existir. Para a maioria basta o chamado sentimento. Eu não sou a maioria. Portanto, ou estou longe de sentir a profundidade do que já sentiram ou sentem, ou estão vós um pedaço enorme atrás de mim.
E vou-me perdendo nas razões que me movem as pernas, perdido por voltar a pensar que sou como todos os outros em todos os pormenores. Até me podem ir tentando provar que não sou; mas nunca será a mesma coisa. Se me pudesse acordar enquanto estou a dormir faria-o sem hesitar. Aguardo pelo estalar de dedos que me desperta.
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