O Diogo avança muito devagar pelo mar a dentro. Muito devagar. Está frio. Para mim o mar está sempre frio. Segundo o meu amigo Varela (adorador eterno do mar) o mar está sempre quente. Gostava de sentir o mar como ele sente. Para mim, mesmo nos dias em que supostamente está mais quente, continua frio como...apenas frio, gelado. Penso sempre que é desta que vou partir para o outro mundo com um ataque idiota de hipotermia. Já apanhei um susto uma vez. Saí do mar, aliás do rio...e não parei de tremer durante quase uns trinta minutos. Várias pessoas colocaram toalhas em cima de mim. A minha namorada encheu-me de calor corporal, mas estava difícil. Mas como já disse, foi apenas e apenas só um susto. Mas o Medo! não é esse. Com o frio aos poucos começo a ficar familiarizado...e é tão ou mais constante em mim do que o calor. Aqui o Medo! é outro. Desde pequeno, sabendo ou não nadar, algo que sei, o suficiente para sobreviver, apesar de não saber nadar de forma profissional ou bela, é deixar de...sentir...o chão. Talvez seja mais responsável do que penso; ou será covardia? Eu não sei. Sei que no momento é que vou avançando, vou de forma cautelosa...não por ter medo de morrer, mas sim por ter Medo! de deixar de sentir o chão. Não consigo explicar melhor do que isto. Quando estou no mar, piscina ou rio, se por algum momento sinto que não consigo tocar no chão entro num pseudo pânico. E faço todos os possíveis, dando ou não nas vistas para recuar os centímetros, decímetros necessários para voltar a estar na minha zona de segurança. Por segundos entro nesse Medo! que me deixa à deriva nesse pequeno metro quadrado que para todos os outros comuns mortais é normal. (Menos para mim)
Sei que não me vou afogar...mas mesmo assim. A vida é estranha? Não. Mas talvez eu seja.
Sem comentários:
Enviar um comentário