Um grito não vale mais que mil palavras, nem dez palavras, nem que palavras, mas também pode valer. É como imagens que valem mais que puro ouro nas nossas mãos; como pequenos pedaços de divino nos nossos olhos, no nosso ombro. Um grito vale o mesmo que o silêncio? Pode valer. Avalio pessoas, avalio situações. Avalio-me como monstro. Tento rotular o mundo todo? Dificilmente. É um grito que lanço em sintonia, durante vinte um segundos...que não aguento gritar. Vale o esforço? Não. Vale a vontade com que se gritou. Num dueto imaginário com a nossa alma e a alma de quem o deu. Um grito profundo que nasce nas trevas do nosso ser. Pela responsabilidade de se viver, de se ter um trabalho, de nos aplicarmos a ele com afinco. Por nos desligarmos da responsabilidade embalados no lodo que nos rodeia. São precisas palavras para descrever o que sentimos? E o que gritamos? E o que ficou por se dizer? E o que se disse a mais sem necessidade ou sentido?
Mas quem está comigo? QUEM ESTÁ COMIGO? GRITO SOZINHO OU GRITO COM MAIS ALGUÉM? QUEM TRANSFORMA ESTAS MALDIÇÕES EM OURO? QUEM APROVEITA ISTO COMIGO?
QUEM?QUEM??!!QUEM?!QUEM ESTÁ COMIGO?
QUEM QUER USAR PARA SEMPRE ESTA COROA? QUEM? ALGUÉM?
Às vezes rastejamos sem saber...nem sabemos bem no quê, porquê.
Esse grito valeu bem mais que muitas palavras. Que imagens. GRITO NAS PAREDES DESTA ALMA NA OUSADIA DE NÃO LAMENTAR COMO OUTROS, TRISTES OUTROS QUE LAMENTAM PARA SEMPRE.
Aprendi pouco, nada ensinei. Em palavras concretas: não estou sozinho. Por outras palavras: quase preferia estar. Em resumo, queria ser outro. Ser outro e não mais desejar.
GRITA
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